9 de fev. de 2013

Uma conversa sobre anemia

Então pessoal, me vi obrigada a fazer esse post nessa madrugada, como já devem ter percebido, estou levando uma vidinha de vampiro ultimamente. Vendo uns vídeos da Bruna Vieira, ouvi ela contando novamente sobre os problemas que ela teve quando tinha mais ou menos a minha idade, e quer saber? Eu até me identifico com ela, não pelo ponto do bullying, nunca sofri realmente disso, uma provocação aqui, outra ali, já chorei algumas vezes sim mas nada que o amor próprio não tenha superado. Ela citou que era um pouco gordinha quando menor, e que as meninas da idade dela comentavam sobre o peso, chegou a vez de eu contar parte da minha história aqui. 

Pra quem não sabe, eu tenho treze anos e até dois meses atrás morei no interior do interior do Rio de Janeiro, sempre fui magra, peso nunca foi lá um problema pra mim, até um ano e meio atrás. Enquanto grande parte das meninas da minha sala se preocupava em perder os poucos quilos que tinha, meu foco era outro. Nunca comi muito, sempre fui muito pequena, mas nunca tive problemas reais com isso, até que os sintomas da anemia começaram a aparecer, tonteiras, cansaço, eu sempre dormia muito, mas meus parentes insistiam em falar que eu estava ficando doente. O tempo passou, a tonteira ia aumentando, a visão escurecia, e eu quase desmaiava. Até que um dia eu faltei aula, minha rotina não variava, eu acordava de manhã e tomava um copo grande de achocolatado, lá pelas nove e meia eu lanchava na escola, depois só voltava a comer no almoço. Como eu faltei a aula, sai com a minha mãe para a rua, com a barriga vazia vazia, afinal de contas, um copo de toddy não sustenta ninguém por mais de duas horas. 

Estava tudo bem até que entramos no consultório médico, ela ia fazer um exame, já acostumada com isso eu me apoiei na parede e fiquei esperando. Aos poucos minha visão começou a rodar, escurecer, pedi ajuda e me sentaram em uma cadeira, daí apaguei de vez. Não sei quanto tempo fiquei desacordada, uns cinco minutos no máximo, só sei que minha mãe tratou de fazer um belo de um escândalo. Depois daquilo eu tentei, sim, tentei melhorar minha alimentação.

A história não terminou por ai... Tenho uma irmã que morava a uma hora e meia da minha antiga casa, em outra cidade. Quando fui visita-la com o meu pai, fomos ao um shopping. Estava tudo bem, comi um hamburguer, ganhei um livro novo, mas aos poucos já vinha me sentindo mal. Admito que o momento foi até engraçado, com uma sacolinha da americanas na mão, esperando meu pai pegar a minha irmã, fiquei ali parada em cima da loja, e ai cabum. Sim, cabum. Da primeira vez eu desmaiei sentada, dessa vez eu simplesmente cai no chão. Chama pai, chama irmão, chama gato, cachorro, chama quem for pra acordar a menina. Não digo que fiquei totalmente desacordada, senti meu corpo batendo contra o chão e senti me carregarem, daí acordei.

Então pessoal, vocês devem estar se perguntando qual o motivo desse post relatando algumas coisas pessoais sobre mim. É até engraçado falar disso, por que enquanto as meninas da minha sala reclamam que estão gordas - e na realidade estão é magras demais - eu reclamava que estava muito magra, que queria engordar. Pessoas que me conhecem, que conviveram comigo por um bom tempo, perceberam que de uns tempos pra cá eu perdi muito peso. E pra variar, como sou baixinha e devia pesar mais ou menos 45kg, peso lá para os 43, 42. Conclusão? Se fulana ou sicrano te chamou de gorda, não ligue. A opinião não é deles, é sua. Sei que isso é meio clichê, falar que fulaninho e sicraninha não interferem em nada na sua vida, e que você faz ou deixa de fazer só diz respeito a você, mas vamos combinar né? Se olhe no espelho, você gosta do que vê? Se sim, vai mudar pra que? Acredite em mim, se fulaninha gostar de você só por que você é padrão, sai fora, por que essa fulaninha pode muito bem te trocar por outra, afinal, são todas iguais. Se não gostar, não aposte em uma mudança tão radical, nem tente parecer uma pseudo barbie, pra perder/ganhar peso tem que ter controle, por que o que está em jogo não é só sua beleza física, é também a sua saúde. O lado bom da história? A menos de um mês atrás eu não sabia o que era vitamina, ultimamente tenho tomado todo santo dia, e me sinto bem melhor. 

Gostaria também de dizer que fiz esse post pra você, Bruna, por que sei que tanto você quanto muitas meninas passaram por essa situação de peso, e que muitas se importaram tanto com a opinião alheia e o resultado não foi muito bom. Então Bruna, se esse post chegar a você um dia, saiba que não só eu como milhares de meninas de todo o Brasil, se não for o mundo todo estão do seu lado, e que não vão te julgar pelo seu peso, seus dentes, ou seus óculos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário



Design feito por Lyvia Coutinho e Programação por Rebeca Franca