Esse texto foi feito para Melina Souza, com todo amor, carinho e chocolate.
Eu a vi, tinha o rosto sardento e bochechas rosadas. Não era a primeira vez que eu a via, ela costumava andar sempre por ali, e nunca se esquecia de sua câmera que variava a cada passeio, e eu, como uma boa admiradora nunca perdia a curiosidade por volta de seus passos. Para onde ela ia? Muitos diziam que essa tal garota, de nome Melina, tinha uma certa paixão por chocolate quente, unicórnios e doces dos mais variados tipos. Ela também gostava de ler, ler livros grandes e sem figuras. Mas de que vale um livro grande e sem figuras? Como ela tinha uma breve noção do desfecho da história. Perguntas que nunca irei fazer.
Mais dias se passaram e eu decidi que começaria a ler livros sem figuras, de inicio era um desafio, é claro, mas toda tarde quanto eu a via caminhar pela calçada da rua, a animação me contagiava. Me surpreendi, não precisei de imagens, as cenas do meu ponto de vista se formavam em minha mente, e concluí que era uma sensação muito agradável até. Continuei a ler mais e mais.
Ela estava lá novamente, agora olhava de uma forma curiosa para a janela que eu costumava sentar todas as tardes, para vê-la. Mas eu sempre fui muito tímida, então nesse dia não me atrevi a ir para lá, eu tinha vergonha, muita vergonha. De certa ela notara que eu a ficava observando todas as tardes, mas não parecia irritada, não não. Ela tinha um sorriso nos lábios, diferentes de todos os sorrisos que eu vi. Poderia ser um sorriso qualquer, mas no momento eu senti que era o sorriso mais belo do mundo, por que eu estava aliviada. As pessoas não gostam de ser observadas, mas ela parecia se divertir com isso. Ela olhou para mim, e eu, muito espantada pulei para dentro do cômodo, morta de vergonha. Ouvi sua risada, seguida do toque da campainha. No momento em que ela apertou o botãozinho branco, eu gelei.
Eu costumava ficar em casa nas tardes, pois minha mãe na maioria das vezes ficava muito ocupada, já meu pai não morava comigo, o que era uma pena, eu sentia muita falta. Tomei coragem e caminhei até a porta, abrindo apenas uma fresta suficientemente espaçosa apenas para um de meus olhos, e sorri envergonhada. Não posso continuar, desejo que vocês imaginem o final que desejarem, mas posso afirmar que aquela foi a melhor tarde da minha vida, sem duvida alguma.
Notas da autora : Acho que eu fiquei meio empolgada quando a Melina respondeu um dos meus comentários lá no blog, dizendo que amaria ler um texto meu, e eu sei que me sentiria muito mal se não fizesse um especialmente para ela. O texto é totalmente fictício, mas acho que demonstra bem a minha admiração por ela. Comecei a ler livros grandes em 2010, quando meus amigos já reclamavam que eu passava o tempo das aulas lendo, e não conversando, mas só virei leitora compulsiva no ano passado, e me admirei com esse mundo literário. Admiro muito a Melina, ela é, de fato uma grande inspiração que além de escrever muito bem, tira fotos maravilhosas.




Chuchu, que amor você <3
ResponderExcluirAmei o seu texto :) Um presente lindo! (não precisava se sentir mal se não tivesse escrito um texto especialmente pra mim, mas eu amei a surpresa ;D)
Livros são mágicos, né?
Muito obrigada pelo carinho. Fiquei muito feliz em saber que, de certa forma, eu te inspiro :)
Que bom que gostou Mel, fico muito feliz por isso. Livros são normalmente a porta para a minha imaginação, adoooro ler Sz
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